Estudo: bancos usam 56 vezes mais energia que Bitcoin

PUBLICADO EM 4 de julho de 2022

POR cptnadm

Estudo: bancos usam 56 vezes mais energia que Bitcoin
Estudo: bancos usam 56 vezes mais energia que Bitcoin

Um dos maiores argumentos de algumas pessoas contra cripto é o gasto de energia — mas descobrimos que ela é mais econômica que meios tradicionais. Vem ver com os nóias!

“Cripto vai acabar com o meio ambiente!”

Quem nunca ouviu isso pode se considerar uma pessoa de sorte. A real é que, ainda hoje, esse é um dos maiores argumentos da galera hater de cripto pela internet. E sim, a gente sabe: alguns processos desse rolê podem gastar bastante energia — mas você já parou pra comparar com os gastos envolvidos na produção e distribuição de moedas fiduciárias?

Pois a consultoria de pagamentos Valuechain fez exatamente isso, e a resposta (bem chocante) já vem no título. Os bancos, atualmente, gastam 56% mais energia do que o Bitcoin para operar. 

É energia pra caramba, nóia!

Escrito pelo fundador da Valuechain, Michel Khazzaka, esse estudo traz uma série de descobertas surpreendentes, que quebram muitos mitos sobre o uso de recursos do Bitcoin. Com sua experiência em engenharia e criptografia, Khazzaka apresenta um caso bastante convincente.

Aqui, vamos apresentar os principais pontos levantados! Se liga.

Um resuminho preliminar do estudo

Bom, como muitos aqui já sabem, o Bitcoin foi a primeira moeda a introduzir uma versão criptográfica peer-to-peer do dinheiro, que permite pagamentos, trocas e vendas sem precisar de um terceiro — como os bancos. Mas o negócio é que muitos estudos recentes vêm criticando o gasto de energia do Bitcoin, por conta de seu mecanismo de consenso Proof of Work (PoW), esquecendo de um detalhe bem básico: a comparação com o sistema de pagamento eletrônico clássico. 

Aí não dá, né.

Então, se baseando na física, ciência da informação e economia, Khazzaka analisou e comparou o consumo de energia para definir qual é a eficiência energética, tanto do atual sistema de pagamento monetário e sistema de criptopagamento Bitcoin. Existem três descobertas que chamaram a atenção:

  • O Bitcoin consome 56 vezes menos energia do que o sistema clássico;
  • Mesmo num nível de transação único, uma transação PoW prova ser de 1 a 5 vezes mais eficiente energeticamente;
  • Quando o Bitcoin Lightning é comparado ao esquema de Pagamento Instantâneo, o Bitcoin ganha exponencialmente em escalabilidade e eficiência, provando ser de até um milhão de vezes mais eficiente em termos de energia por transação do que os Pagamentos Instantâneos.

O que foi levado em consideração nesse rolê

A pesquisa segue a jornada de uma transação monetária clássica, desde a fabricação do dinheiro até seu trânsito em um caixa eletrônico ou um banco, seguido da sua aceitação em pagamento como dinheiro. 

Em seguida, são analisados os pagamentos com cartão e a energia empregada em cartões, como VISA e Mastercard.

Depois, é revisada a jornada através do sistema bancário até o fluxo central dos mecanismos de compensação e liquidação bancária. Por último, são considerados também os pagamentos instantâneos. 

Para uma transação em Bitcoin, é analisado o total de hardware usado na mineração e processamento, além da energia exata consumida pelo PoW da Blockchain. Mais tarde, também é avaliado o Bitcoin Lightning — uma forma de transações rápidas com a criptomoeda. 

O cálculo final ficou assim:

  • O sistema clássico gasta ≈ 4981 Terawatt-hora (TWh)/ano
  •  Já o sistema do Bitcoin gasta ≈ 88.95 TWh/ano

Ou seja: a cripto levou essa de lavada, irmãos e irmãs. É o que dizem: de virada é mais gostoso.

Aprofundando o debate

Khazzaka afirma que hoje, quando transferimos um dólar de um pagador para um beneficiário, não há transferência real de valor feita entre os dois. Isso porque o sistema monetário eletrônico é fragmentado. O que deve acontecer durante a transação é uma mudança de propriedade do dinheiro, mas na realidade o que rola é uma conversão de dinheiro do banco comercial — supervisionado pelo banco central. 

Basicamente, o pagamento faz uma queima desse dinheiro eletrônico conservado pelo banco do pagador. Depois, então, uma operação diferente é realizada pelo valor equivalente com uma conta privada diferente emitida pelo banco do beneficiário. A liquidação desta queima é alcançada através de uma transação distinta executada entre o banco do ordenante e o banco do beneficiário, utilizando as suas próprias contas no banco central.

Confuso, né?

Mas isso significa que o beneficiário, embora tenha recebido o pagamento, nunca tem uma reivindicação direta sobre ele. É uma quantia que ele está emprestando ao seu banco, equivalente a uma promessa. Seu banco deve a ele essa quantia de dinheiro no banco central. 

Para o fundador da Valuechain, essa é uma importante diferença entre Bitcoin e o sistema monetário clássico. Uma transação Bitcoin entre um pagador e um beneficiário é uma transferência direta do criptoativo, sem a necessidade de qualquer terceiro confiável. A natureza do Bitcoin é criptograficamente diferente. Não é apenas uma promessa de entrega de valor. E é por isso que comparar esses dois sistemas 100% diferentes pode ser tão complicado.

Entretanto, já que esse debate é tão constante no universo cripto, a pesquisa faz um trabalho bem importante ao comprovar que o Bitcoin usa 56% menos energia do que o sistema clássico, mesmo com a inclusão do Lightning em comparação com pagamentos instantâneos. 

Hoje em uma única transação, o PoW do Bitcoin é, em média, 1,2 vezes mais eficiente energeticamente do que uma transação de pagamento eletrônico clássica — e pode subir a 5 vezes com a substituição de unidades de mineração mais antigas por hardware mais eficiente.

Bitcoin Lightning e pagamentos instantâneos

Quando Bitcoin Lightning e os pagamentos instantâneos são incluídos no benchmark, e simulando que eles são usados ​​em sua capacidade máxima em ambos sistemas, descobrimos que uma transação Bitcoin Lightning é, em média: 

  • 345.000 vezes mais rápida que o sistema clássico;
  • 14 vezes mais rápida que uma transação de pagamento instantâneo. 

VRAU.

Além disso, o Bitcoin Lightning tem uma escala muito maior do que os pagamentos instantâneos, com uma capacidade (ao menos em teoria) de 31 trilhões de transações por ano para Lightning em comparação com 31 bilhões de transações por ano de pagamentos instantâneos. 

Esta limitação de capacidade é principalmente devido à limitação de sistemas transfronteiriços do tipo Swift na taxa de transferência em ~ 1.000 transações (Tx) por segundo. 

Dentro da estimativa do estudo, foram usadas 1000 transações por segundo como um valor global máximo para pagamentos instantâneos, mas, na realidade, diferentes sistemas regionais ou nacionais podem ser incapazes de atingir essa capacidade. 

Como consequência, se ambos sistemas são usados ​​em sua capacidade máxima, o custo de energia de uma única transação de pagamento instantâneo torna-se muito maior do que um pagamento clássico, e requer ~158 kWh/Tx. 

Já o Bitcoin escala melhor e consegue diminuir drasticamente até 0,00282 kWh/Tx em suas 2 camadas combinadas (incluindo PoW).

Em conclusão, o Lightning, em um único nível de transação, permite que o Bitcoin se torne 194 milhões vezes mais eficiente energeticamente do que um pagamento clássico, e até 1 milhão de energia mais eficiente do que um pagamento instantâneo.

Achamos esse estudo bastante interessante e precisamos trazer isso aqui pra comunidade dos Nóias. Afinal, um Criptonóia bem informado é o melhor aliado contra as mentiras que a galera sai espalhando por aí por puro desconhecimento. Nossa dica é ler o artigo na íntegra — os cálculos feitos são muito interessantes, e nos ajudam a entender não só a criptoeconomia, mas também todos os processos extensos envolvidos na produção de uma moeda fiduciária.

Bora, nóia! Esperamos que vocês curtam.

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